quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nós vai ou a gente fomos?

Nos últimos dias explodiu nas mídias e nas redes sociais a polêmica sobre o livro didático "Por uma Vida Melhor", de Heloísa Ramos.

No livro, ela defende, entre outras coisas, que construções como "nós pega o peixe" ou "os livro ilustrado mais interessante estão emprestado" não devem ser encarados como erros, mas sim como inadequados dependendo do contexto.

Confesso que minha noiva sempre tentou me convencer disso, e, agora que a polêmica está armada, tenho lido muito mais sobre o assunto. De fato, analisando os diversos textos na web, por pessoas bem mais capacitadas do que este que vos escreve, passei a concordar que, linguisticamente, não é errado pronunciar uma frase que venha a ferir esta ou aquela regra gramatical. Analisando deste ponto de vista, errado seria uma frase que não pode ser entendida. Logo, se o locutor se fez entender, ele cumpriu o objetivo de se comunicar.

Mesmo assim, também defendo que há uma norma culta, que é analisada, estudada e ditada pela gramática normativa. Esta gramática diz que é errado - e concordo que seja - dizer "nós vai", porém no estudo da linguística, campo da professora Heloísa, não é incorreto, mas pode ser inadequado num determinado contexto. Mesmo assim, o objetivo de comunicação foi alcançado, pois se você dizer que "nós vai", todos entenderão que nós iremos em algum lugar.

Observei, juntamente com os textos, pessoas atacando a professora com unhas e dentes, chamando de atrevimento a tentativa dela de fazer com que nossas crianças desenvolvam, com um estudo mais aprofundado, uma grande habilidade comum a pouquíssimos seres humanos: A habilidade de pensar.

É muito mais fácil dizer para uma criança que isto ou aquilo é certo ou errado e pronto. Mas se você dizer que isto pode ser assim, ou tal coisa tornou-se assim, mas não é uma regra, faz com que ela aprenda a pensar, e isso sim, na minha opinião, é algo terrível ao controle dos mais fortes sobre os mais fracos. Chamaram de "o estupro da gramática de Camões e Fernando Pessoa", mas nós nem nos damos conta de que, no dia a dia, não a usamos mais. Aqui estou eu, preocupado com meu texto, mas quando falo com alguém, não tenho esta preocupação. E tenho certeza, que na minha ignorância, muitos "erros" ficarão pelo caminho, em todos os textos que eu publicar, mas o importante aqui é a comunicação e o livre pensamento sobre o que é adequado e o que é inadequado.

Estes mesmos defensores, são os que dizem que nossas crianças não gostam de ler quando crescem. Claro que elas não gostam: A gramática de Camões é extremamente complicada, se comparada com a magia "rebelde" de Harry Potter, por exemplo. Lá vemos alguns dos "erros" tão absurdamente criticados pelos senhores-doutores-excelentíssimos-eloquentíssimos gladiadores do português puro, mas que conquistaram legiões de fãs por todo o mundo. Não acho que alguém ouse a chamar Harry Potter de um livro fraco, mas se Harry dissesse que "deveras, penso eu, ser indubitavelmente precípuo conhecer meu estimado padrinho Sirius Black", Camões ficaria bem feliz, e as crianças vomitariam em seguida.

Mas os que marcham contra "os erros absurdos que estão tentando ensinar as nossas crianças" - este que vos escreve era um militante confiante, a pouco tempo atrás - não entendem que o que Heloísa e tantos outros estão tentando fazer é ensinar nossas crianças a pensar, para que, quando estiverem com a nossa idade, sejam mais inteligentes e assim, mesmo cometendo "erros" contra a preciosa gramática tradicional e eterna, venham a acertar em tantos outros campos que nós, protetores da norma culta, vivemos a errar dia após o outro.

Fontes: (As pessoas mais inteligentes que eu.. rsrs)

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/916634-uma-defesa-do-erro-de-portugues.shtml

http://ernestodiniz.com/post/5577878339/o-que-pode-esta-lingua

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O impossível não é nada!


"A verdade incontestável é que ninguém ganha da forma como nós ganhamos. As vitórias dos outros são simples, quase sem graça (...) As nossas são cardíacas. As dos outros são previsíveis, esquecidas ao apito do primeiro jogo do próximo campeonato, as nossas são inesquecíveis (...) Vão da extrema falta de perspectiva, do máximo sofrimento, da crueldade, ao êxtase, ao épico, ao apoteótico. Tudo junto, quase sem fronteiras entre esses opostos"

O texto do grande Nelson Rodrigues parece traduzir com perfeição o jogo de ontem à noite. Fluminense e Argentino Juniors batalhavam pela classificação na Libertadores. Enquanto isso, América do México e Nacional faziam o outro jogo do imprevisível grupo 3.

Disseram os matemáticos que o Flu tinha 8% de chances de se classificar. Disseram os intelectuais que era impossível para o Fluminense vencer na Argentina, e ainda contar com um tropeço do Nacional dentro de sua casa. Só se esqueceram que estavam falando justamente do Fluminense. E Fluminense é outra história.

Começa o jogo, e o Flu parte pra cima. E faz o primeiro gol. Marquinho dá um passe perfeito para o muito criticado Julio César fazer com categoria.

Segue o jogo e Gum comete um penalti infantil. Ainda tenho minhas dúvidas, mas o péssimo arbitro Wilmar Rodán, assinala a infração. Gol de Salcedo. Gol do Argentino Juniors.

O tricolor não se entrega e vai a luta, pois quem espera sempre alcança. E Fred, aos 39 do primeiro tempo - no exato momento em que o gol tinha que sair - manda uma bomba para gol. O goleiro Navarro franga, ou como disse o amigo Paulo Cezar, "prefere ser vazado a morrer". Flu na frente outra vez.

Com o placar, América do México e Nacional se classificariam com um empate. E assim eles foram tocando o jogo. Na Argentina, o jogo recomeça no segundo tempo, e os donos da casa tomam a iniciativa. E após um cruzamento para a área do Flu, Valência corta mal, e a bola cai nos pés de Oberman. Valência corre para tentar impedir o chute, mas ele cruelmente desvia nos pés do colombiano e engana o goleiro Berna. Gol infeliz e desalmado. Gol de empate do Argentino Juniors.

Então Marquinhos, um dos melhores em campo, faz um lançamento forte para Julio César, que se esforça na esquerda e ganha o escanteio. Podem não acreditar, mas comentei nessa hora com meu velho pai: Essa é a hora perfeita para mais um gol do Flu. Eis que ele responde, meio entorpecido pelo jogo: Não se preocupa, será 4 a 2.

Olhei para ele de lado, e ouvi Marquinhos cobrar o escanteio. Valência subiu mais do que todos, um gigante na área dos argentinos, e cabeceou. Navarro fez boa defesa, mas a bola cai nos pés de Rafael Moura. O He-Man, com uma frieza impecável, domina a bola e coloca no fundo da rede. O Fliminense ainda estava vivo.

O tempo passa e as oportunidades surgem para os dois times. Ambos precisam sair. Ambos precisam de mais um gol. O jogo fica eletrizante e completamente indefinido. Eis que Fred recebe na área aos 39 do segundo tempo. Chuta para gol, com a bola quicando bem a frente de Navarro, que defende incrivelmente a bola da classificação.

Pensei: "Acho que acabou". Esqueci, momentaneamente de que torcia para um time que não respeita o tempo, nem o espaço, nem as circustâncias, nem os cálculos, nem nada.

Acaba o jogo em Montevidél. Nacional segura o empate e todos os torcedores ficam de olho no jogo do Flu. E aos 43 o tempo pára mais uma vez na história do Flu. Araujo, que tinha acabado de entrar, recebe de Fred e puxa o contra-ataque. Edinho sai em disparada da zaga e recebe de Araujo. Edinho, muitas vezes criticado, dribla o goleiro. Navarro toca no zagueiro, que cai dentro da área adversária. Todos prendem a respiração. O estádio se cala. O narrador fica mudo. E os três segundos que o árbitro levou para levantar o braço e apontar a falta dentro da área pareceram demorar 3 horas. Pênalti para o Fluzão. Seria o milagre.

Confesso que nessa hora eu saí da sala. Não vi Fred pegar a bola e chamar a responsabilidade. Não vi ele colocar a bola na marca da penalidade e olhar para a meta à sua frente. Esperei no meu quarto, segundos intermináveis. Então veio o grito do meu pai. Fred havia feito o gol. O Flu estava classificado.

Fim do jogo. Não vou falar do que ocorreu depois. Pelo menos não nessa postagem. O que importa é que o impossível não é nada. E o Fluminense continua na Libertadores.

Milagre: 1- Feito ou ocorrência extraordinária, não explicável pelas leis da natureza. 2- Acontecimento admirável, espantoso. 3- Algo contrário a todas as probabilidades.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ronaldinho na ABL?


Não, você não leu errado.
O que ontem virou uma febre no Twitter, aconteceu de verdade, na terra da descrença. Enquanto os deputados e vereadores aumentam seu salário em mais de 60%, certo jogador de futebol, de talento inegável, ganhava a máxima honraria da Academia Brasileira de Letras: A medalha Machado de Assis.

Não estamos aqui falando algo contra a pessoa do sr. Ronaldinho, mas sim contra uma instituição que, ao invés de premiar talentos da literatura brasileira - esta sim, carente de incentivo -, decidiu exaltar um jogador que nunca teve nada a ver com a literatura.

Quando perguntado, o premiado jogador chegou a responder que não tinha livro preferido. Ora, como alguém recebe uma premiação importantíssima na literatura brasileira e simplesmente não tem um livro preferido? Qualquer mula, que já tenha lido um gibi, tem uma preferência. Uma vez que você tenha lido dois livros em toda a sua vida, você deve preferir um deles. PELO MENOS UM!

Apelando à lógica, só posso supor que o premiado jogador jamais leu um livro em sua vida. É uma lógica que recorre ao campo da suposição, mas acredito estar mais próximo da verdade que os "imortais" da ABL.

Enquanto isso, temos centenas de bons escritores brasileiros, que não recebem o menor incentivo do governo ou dessa estimada Academia, mendigando as migalhas que os imortais deixam cair de suas mesas. E o pobre povo brasileiro, que já não é muito acostumado a ler, continua sem ver um horizonte melhor.

A única coisa que me conforta é que, observando as manifestações do publico no Twitter, podemos perceber que, pelo menos, o senso crítico das pessoas está mais apurado. Ao invés de aplaudir um absurdo desses, já conseguimos perceber o insulto que nos é proferido, mesmo se tratando do Ronaldinho Gaúcho.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A decadência do futebol brasileiro


Temos lido e ouvido, com uma insistência bastante peculiar, a história dos novos contratos de televisão que regerão o futebol brasileiro, em particular o campeonato brasileiro, no ano de 2012.
Depois da vitória da Rede TV pela licitação com o clube dos 13, observamos vários clubes negociando diretamente com a rede Globo, em busca de algum lucro melhor do que o acertado com a outra emissora. Nada de anormal, uma vez que estamos falando de negócios que envolvem milhões de reais, mas temos que lembrar o fato de estarmos conversando sobre um esporte que é paixão nacional. Neste princípio, a peça mais importante desta equação milionária deveria ser um: O torcedor.

Não é isso que eu tenho observado. Vamos aos fatos.

Vejam abaixo a atual divisão de valores para os clubes:

Grupo I - Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Vasco: R$ 21.000.000,00.
Grupo II - Santos: R$ 18.000.000,00.
Grupo III - Atlético MG, Botafogo, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio e Internacional: R$ 15.000.000,00.
Grupo IV - Atlético PR, Bahia, Coritiba: R$ 11.000.000,00.
Grupo V - Goiás, Guarani, Portuguesa, Sport Recife e Vitória: R$ 5.500.000,00.
"Convidados" - América MG, Atlético GO, Avaí, Ceará e Figueirense: negociação individual com o Clube dos Treze.

Fonte: jornalheiros.blogspot.com

Na nova divisão, São Paulo cai para o grupo 2 junto com o Vasco e Palmeiras, deixando o Grupo 1 apenas com Corinthians e Flamengo.
Ora, não sou contra nenhum clube. Sou Fluminense, mas antes sou um apaixonado pelo futebol em si. A divisão antiga, assim como a divisão nova, não respeita nenhum critério que eu entenda, pelo menos não como torcedor. É um fato que Flamengo e Corinthians tenham as maiores torcidas. Mas isso dá direito deles obterem mais verba ou maior quantidade de jogos? E o torcedor dos demais times onde fica? E o esporte em si?

Então quer dizer que um time como o São Paulo por exemplo, com 3 títulos mundiais, seis títulos brasileiros (sem nenhum asterístico ou mimimi) e 9 títulos internacionais nos últimos 20 anos recebe menos do que Corinthians e Flamengo só por não terem maior torcida? Então um time como o Internacional, campeão mundial, sulamericano, brasileiro, copa do brasil e tantos outros, fica no grupo 3?
Percebemos um claro desrespeito ao torcedor em geral, já que está havendo um privilégio grande a dois times que, tem uma história linda, uma torcida imensa, mas não tem méritos nos últimos 20 anos para estarem onde estão. Essa divisão é uma piada, assim como muitas outras coisas que envolvem a CBF.

Minha opinião:

Pra mim a divisão está errada. Negociar diretamente com os clubes também está errado, pois cria uma abismo entre os times grandes e os pequenos. Acho que o futebol brasileiro, pelo nível que tem, deveria ser como a NFL.
Na NFL a divisão é igual para todos, proporcionando 32 times extremamente fortes e capazes de serem campeões. Obviamente alguns times são mais tradicionais do que outros, semelhante ao que acontece no nosso futebol, mas todos tem as mesmas chances.
Acho que as verbas deveriam ser destinadas da seguinte maneira:

50% das verbas seriam igualmente divididas para os times da 1ª divisão
25% seria para os times da 2ª divisão
15% para os times da 3ª divisão
10% para os times da 4ª divisão

Poderiam ser dados bônus para o campeão de cada divisão, os classificados para subir de divisão e os que se classificarem para a Libertadores da América. E, mesmo sabendo que isso é um sonho, os jogos deveriam ser transmitidos por várias emissoras, assim todos poderiam ter o mesmo número de jogos, transmitidos sob condições iguais para todos. Acho que isso seria mais benéfico aos torcedores e para o próprio esporte em geral.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os "Heróis" do BBB

Tendo em vista que mais uma edição vai se desenrolando e num nível ainda mais baixo, decidi postar aqui um texto publicado no ano passado que supostamente teria sido escrito por Luis Fernando Veríssimo. Não há confirmações de que tenha sido escrito por ele, mas tendo sido ou não, é de grande valia e nos ajuda a compreender melhor os grandes "heróis" que residem na atual casa do BBB.

Vale a pena conferir.

"A Vergonha"

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE. Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!). Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.. Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores ).

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Fonte: http://paoeprosa.wordpress.com/2010/03/18/a-vergonha-cronica-de-luiz-fernando-verissimo-sobre-o-bbb/

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Engarrafamento e o DS

Pois é amigos, agora estou postando aqui com um pouco mais de frequência. O dia de hoje começou absurdamente complicado, pois um acidente literalmente parou a Linha Amarela no sentido Barra da Tijuca. A coisa foi tão complicada que os motoristas tiveram que desligar seus carros. Infelizmente esqueci minha câmera em casa, então não pude registrar o ocorrido, mas o ponto bom foi que eu não precisei enfrentar o engarrafamento todo, pois consegui sair antes do pedágio e fui para a Barra por dentro, pela avenida Geremário Dantas. Nos minutos que fiquei parado na linha amarela, pude desfrutar da companhia do meu inseparável Nintendo DS, e, como ocorre em momentos como esses, o console me ajudou a superar o estresse do trânsito. Então decidi fazer um post com o Top 10 de jogos para o DS.
Usei algumas fontes externas e minhas próprias experiências para criar a lista. Foi difícil, pois gosto de quase todos os jogos, mas tentei ser o mais justo possível. Espero que gostem.


10º Lugar: Tetris DS

Aqui mais uma homenagem a esse jogo que parece superar as décadas. Quem nunca jogou Tetris? Seja no Game Boy, ou naqueles mini-games que eram vendidos no camelô, Tetris é um clássico que nunca sai de moda. No DS não há inovação, mas a nostalgia e a diversão estão presentes no quebra-cabeças mais jogado da Nintendo. É um grande passatempo, principalmente em engarrafamentos, e um jogo excelente.


9º Lugar: Metroid Prime: Hunters

Metroid é uma das franquias mais antigas da Nintendo. No DS a série é uma continuação direta dos antecessores Metroid (NES) e Super Metroid (SNES). Visualmente Hunters lembra os antecessores, mas as diferenças da jogabilidade lembram muito os FPS de PC. O controle combinado entre a Stylus e os botões oferecem ao jogador uma experiência bastante divertida. Alguns sites afirmam, e eu concordo, que Hunters foi o percursor dos FPS para o Nintendo DS. É que nós descobrimos ao jogar as mais variadas missões na pele de Samus. Excelente jogo.


8º Lugar: Ben 10 Alien Force - Vilgax Attack

Quem é fã do desenho vai gostar muito desse jogo. Quem não é fã também vai gostar. Ben 10 é um jogo de aventura que une a ação durante quase todos os momentos, com alguns quebra-cabeças que precisam ser superados no decorrer das fases. Na minha opinião, um dos diferenciais do jogo é a habilidade do personagem de se transformar em 10 tipos de heróis diferentes - assim como no desenho - cada um com suas características especiais. Enquanto um é extremamente forte, o outro é ágil, e outro ainda pode voar. Isso ajuda ao jogo não ficar monótono e enjoativo, tornando a experiência ainda mais divertida.


7º Lugar: Super Scribblenauts

Não espere gráficos belos e surpreendentes. Mesmo assim, Super Scribblenauts é extremamente divertido e capaz de prender o jogador durante muito tempo. O jogo consiste em criar objetos para ajudar Maxwell a superar os enigmas propostos em cada fase. Contudo, Super Scribblenauts oferece uma inovação: A capacidade de criar palavras com adjetivos. Portanto, você é capaz de criar um helicóptero azul veloz, ou um dragão minúsculo bondoso. São inúmeras opções e dezenas de formas de superar um mesmo objetivo, o que testa a criatividade do jogador. A quantidade de palavras está ainda maior, logo Deus e Chuck Norris estão presentes assim como o Kraken e talvez um buraco negro. Só jogando para conhecer a diversidade das palavras inseridas no jogo. E o melhor: A versão americana possibilita nas opções a configuração para o Português.


6º Lugar: Super Mario 64 DS

Simplesmente não dá pra falar de Nintendo e não lembrar de Mario. Escolhi Mario 64, pois o jogo trouxe melhorias do finado Nintendo 64, como a possibilidade de controlar Yoshi no inicio do jogo. A trama é inovadora: Bowser sequestrou a princesa Peach (rsrsrs). Porém ele também mantém refém Mario, Luigi e Wario. Yoshi precisa libertar os três e assim o jogador terá que controlar um dos quatro nas fases posteriores para coletar as estrelas e assim derrotar o vilão Bowser. Super Mario 64 não é um jogo novo, por se tratar de um remake do Nintendo 64, mas oferece algumas inovações que contribuem para uma diversão garantida. E mesmo que não fosse, é quase um crime ter um Nintendo DS e não ter um joguinho do encanador.


5º Lugar: The Legend of Zelda: Phantom Hourglass

O RadioativoBlog começa a descrição de Phantom Hourglass desta forma: "Ok, explicar a cronologia de Legend of Zelda é dificil, então não pergunte porque diabos o Link é adulto em Twilight Princess e porque ele é criança aqui em Phantom Hourglass... apenas saiba que são dois Links diferentes em realidades diferentes...". Entendendo isso podemos falar que Zelda é um dos grandes jogos do Nintendo DS, pois utiliza grandes recursos do portátil, tornando a jogabilidade bem mais interativa. Por exemplo: Como apagar uma vela e assim liberar a entrada numa porta qualquer? Na vida real: Assoprando. Em Phantom Hourglass: Assoprando! A idéia foi genial e o fato do jogo ser totalmente controlado pela Stylus transforma Zelda numa experiência única e obrigatória para o DS. E isso é apenas o começo, pois no decorrer das missões você terá que limpar mapas, desenhar rotas, efetuar comandos de voz. Bem, apenas jogando para saber. O fato é que Phantom Hourglass é extraordinário.


4º Lugar: Fifa Street 3

Pra mim o melhor jogo de futebol para o portátil da Nintendo. Fifa Street 3 reúne mais de 250 jogadores conhecidos desenhados de uma maneira caricata, mas com uma jogabilidade excelente. Os controles são bem simples, permitindo o jogador a fazer diversos dribles durante as partidas. E os dribles são, quase sempre, a principal meta do jogo. Em algumas partidas ganha quem fizer mais pontos, obtidos com dribles desconcertantes. Em outras, vence quem tiver o maior número de gols em um determinado tempo. Astros como Kaká, Ronaldinho, Rooney e Del Piero estão presentes juntamente com alguns clássicos como Zico e Baresi.


3º Lugar: Star Wars: The Force Unleashed 2

Esta é a sequência do game da Lucas Arts e explora o universo estendido de Star Wars no período após o episódio III. O jogo combina a utilização do sabre de luz com os poderes da força para resolver os enigmas nas fases e derrotar os adversário. Melhorias em relação ao primeiro título para o DS, principalmente com uma jogabilidade mais refinada, que era a principal crítica do jogo anterior. A trama está muito bem construída e os gráficos também. Além das melhorias na jogabilidade o jogo oferece uma exploração maior do personagem e o player certamente terá que estar atento enquanto o Starkiller descobre quem ele realmente é. Um grande jogo que certamente não pode faltar no portátil da Nintendo.


2º Lugar: Golden Sun - Dark Dawn

Golden Sun é um jogo de RPG que oferece uma ampla exploração de cenário além de resgatar alguns dos principais elementos da franquia, o que agradará principalmente aos fãs. Contudo, mesmo que você nunca tenha ouvido falar, o jogo é uma excelente escolha para o DS para você que gosta de RPG. Como todo jogo neste estilo, Golden Sun contém momentos em que a pancadria corre solta, mas também outros momentos em que as conversas são primordiais para se ter um conhecimento maior das missões. O estilo de luta é em turnos, o que pode desagradar alguns, porém os gráficos são surpreendentes, ainda mais quando os poderes dos Dijin - criaturas que concedem habilidades específicas aos usuários - são invocados. Tudo isso num estilo gráfico bem agradável e bonito.


1º Lugar - Mario Kart DS

É óbvio que este teria que ser minha escolha para o primeiro lugar. Assim como nos demais sites que eu pesquisei, Mario Kart é, sem dúvida, o game mais jogado no DS. Particularmente eu não conheço um proprietário de DS que não possua Mario Kart. O famoso jogo de corridas da Nintendo conta com a velha fórmula de correr e atrapalhar os adversários, seja lançando cascos ou cascas de banana, ou aumentando a própria velocidade com os cogumelos. No título do DS, alguns personagens estão escondidos e são desbloqueados conforme o jogador consegue vencer os campeonatos nas diversas categorias. O modo Mirror Mode oferece um desafio extra no final e as partidas online são incríveis. O modo multiplayer também está presente e muitíssimo bem elaborado, como sempre, em sua simplicidade. Não consigo imaginar um console da Nintendo sem o barulhinho dos motores de Mario e companhia.


Bom, essa é a minha lista, baseada em minhas experiências e nas informações coletadas de outros sites. Se você gostou ou não gostou da lista, deixe seu comentário. E se quiser, dê sua opinião sobre qual seriam os melhores jogos de Nintendo DS.


Fontes:
http://www.baixakijogos.com.br/ds
http://radioativoblog.blogspot.com/2009/08/top-10-melhores-jogos-de-nintendo-ds.html
http://www.gamelib.com.br/stories/read/os-melhores-jogos-para-o-nintendo-ds.html
http://notazero.com.br/games/2010/03/13/os-10-melhores-jogos-de-nintendo-ds/

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eterno Amor!


Você lembra da sua infância? Eu confesso que não lembro muitas coisas. Lembro de quebrar o braço umas duas vezes. Lembro das palmadas da minha mãe para corrigir minhas travessuras. Lembro de jogar River Raid no Atari. Lembro de ter um cachorro chamado King. Ah! Sim! Lembro do Fluminense.

Em 1984 o Fluminense vencia um campeonato brasileiro. Em 1985 eu nascia. Quis Deus que eu não visse um dos títulos mais importantes deste que seria um dos meus grandes amores. Amor este fortemente influenciado por um pai nascido em 1942, testemunha ocular de "glórias e vitórias mil". Amor suficiente para negar a tentação de um tio que insistia: "Torce pro flamengo, meu sobrinho!". Amor capaz de fazer chorar por um gol de barriga. Amor capaz de lamentar seguidos rebaixamentos e viradas, numa época turva e sombria, e ainda assim permanecer inabalável. Amor capaz de observar uma derrota como a de 2008. Mas que amor é esse?

Quis Deus, digo eu, porque a espera gerou uma paixão ainda mais forte. Foram nas lutas que a conexão se tornou mais intensa. Foi na crise que o afeto foi colocado à prova. Foi lá, no fundo do poço, que a trama se desenrolou como se quisesse provar o quão fortes éramos nós, torcedores do Tricolor. E nessa lacuna ouvir um pai apaixonado contar das fábulas de um tal de Castilho, ou de Félix, ou um tal Rivelino. Contar as histórias de um casal vinte e um certo "gringo" que atendia por nome de Romerito. Falar de um certo 1 a 0 contra um certo Bayern e uma linha formada por: Félix; Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Cléber; Cafuringa, Paulo César Caju, Rivellino e Mário Sérgio. Sim, meu pai lembra os nomes de cabeça. Porém não passavam de fábulas que jamais se repetiriam, na opinião de alguns.

Mas então as fábulas se tornaram realidade. Então um povo assistiu um time fugir do rebaixamento, empurrado por milhares de torcedores ensandecidos que iam contra os matemáticos e catedráticos e tantos outros "áticos" que você possa imaginar. E este mesmo povo haveria de assistir muito mais, no ano que viria, pois o "praticamente rebaixado" Fluminense do ano anterior, sairia do Z4 para o G4 e daí para um título que só quem era mais velho do que eu poderia tentar se lembrar.

E foi no dia 05 de Dezembro que isso aconteceu. E as famílias se reuniram para torcer, emocionados e aflitos, um time dar a volta olímpica num estádio de nome Tricolor. E as fábulas viraram mais realidade do que nunca, pois lá estava o velho Romerito a torcer por outro "gringo", este atendendo por nome de Conca, e por três cores que traduzem muito mais do que tradição, traduzem honra e determinação. Foi alí que todos se curvaram e tiveram que reconhecer: "Sim, o Fluminense é o campeão"

Me arrisco a dizer, com toda a certeza, se alguém no mundo celestial virou para um certo Nelson Rodrigues e lhe contou toda essa epopéia, o qual aqui eu apenas resumo, o velho mestre deve ter dito: "Eu já sabia, meu filho. O melhor time é o Fluminense. Você pode dizer que os fatos provam o contrário, e eu vos respondo: Pior para os fatos" .




Fontes:
http://jornalheiros.blogspot.com
http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli/2010/12/07/o-imenso-1-a-0/comment-page-12/#comment-27087