quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eterno Amor!


Você lembra da sua infância? Eu confesso que não lembro muitas coisas. Lembro de quebrar o braço umas duas vezes. Lembro das palmadas da minha mãe para corrigir minhas travessuras. Lembro de jogar River Raid no Atari. Lembro de ter um cachorro chamado King. Ah! Sim! Lembro do Fluminense.

Em 1984 o Fluminense vencia um campeonato brasileiro. Em 1985 eu nascia. Quis Deus que eu não visse um dos títulos mais importantes deste que seria um dos meus grandes amores. Amor este fortemente influenciado por um pai nascido em 1942, testemunha ocular de "glórias e vitórias mil". Amor suficiente para negar a tentação de um tio que insistia: "Torce pro flamengo, meu sobrinho!". Amor capaz de fazer chorar por um gol de barriga. Amor capaz de lamentar seguidos rebaixamentos e viradas, numa época turva e sombria, e ainda assim permanecer inabalável. Amor capaz de observar uma derrota como a de 2008. Mas que amor é esse?

Quis Deus, digo eu, porque a espera gerou uma paixão ainda mais forte. Foram nas lutas que a conexão se tornou mais intensa. Foi na crise que o afeto foi colocado à prova. Foi lá, no fundo do poço, que a trama se desenrolou como se quisesse provar o quão fortes éramos nós, torcedores do Tricolor. E nessa lacuna ouvir um pai apaixonado contar das fábulas de um tal de Castilho, ou de Félix, ou um tal Rivelino. Contar as histórias de um casal vinte e um certo "gringo" que atendia por nome de Romerito. Falar de um certo 1 a 0 contra um certo Bayern e uma linha formada por: Félix; Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Cléber; Cafuringa, Paulo César Caju, Rivellino e Mário Sérgio. Sim, meu pai lembra os nomes de cabeça. Porém não passavam de fábulas que jamais se repetiriam, na opinião de alguns.

Mas então as fábulas se tornaram realidade. Então um povo assistiu um time fugir do rebaixamento, empurrado por milhares de torcedores ensandecidos que iam contra os matemáticos e catedráticos e tantos outros "áticos" que você possa imaginar. E este mesmo povo haveria de assistir muito mais, no ano que viria, pois o "praticamente rebaixado" Fluminense do ano anterior, sairia do Z4 para o G4 e daí para um título que só quem era mais velho do que eu poderia tentar se lembrar.

E foi no dia 05 de Dezembro que isso aconteceu. E as famílias se reuniram para torcer, emocionados e aflitos, um time dar a volta olímpica num estádio de nome Tricolor. E as fábulas viraram mais realidade do que nunca, pois lá estava o velho Romerito a torcer por outro "gringo", este atendendo por nome de Conca, e por três cores que traduzem muito mais do que tradição, traduzem honra e determinação. Foi alí que todos se curvaram e tiveram que reconhecer: "Sim, o Fluminense é o campeão"

Me arrisco a dizer, com toda a certeza, se alguém no mundo celestial virou para um certo Nelson Rodrigues e lhe contou toda essa epopéia, o qual aqui eu apenas resumo, o velho mestre deve ter dito: "Eu já sabia, meu filho. O melhor time é o Fluminense. Você pode dizer que os fatos provam o contrário, e eu vos respondo: Pior para os fatos" .




Fontes:
http://jornalheiros.blogspot.com
http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli/2010/12/07/o-imenso-1-a-0/comment-page-12/#comment-27087

Nenhum comentário:

Postar um comentário