Não, você não leu errado.
O que ontem virou uma febre no Twitter, aconteceu de verdade, na terra da descrença. Enquanto os deputados e vereadores aumentam seu salário em mais de 60%, certo jogador de futebol, de talento inegável, ganhava a máxima honraria da Academia Brasileira de Letras: A medalha Machado de Assis.
Não estamos aqui falando algo contra a pessoa do sr. Ronaldinho, mas sim contra uma instituição que, ao invés de premiar talentos da literatura brasileira - esta sim, carente de incentivo -, decidiu exaltar um jogador que nunca teve nada a ver com a literatura.
Quando perguntado, o premiado jogador chegou a responder que não tinha livro preferido. Ora, como alguém recebe uma premiação importantíssima na literatura brasileira e simplesmente não tem um livro preferido? Qualquer mula, que já tenha lido um gibi, tem uma preferência. Uma vez que você tenha lido dois livros em toda a sua vida, você deve preferir um deles. PELO MENOS UM!
Apelando à lógica, só posso supor que o premiado jogador jamais leu um livro em sua vida. É uma lógica que recorre ao campo da suposição, mas acredito estar mais próximo da verdade que os "imortais" da ABL.
Enquanto isso, temos centenas de bons escritores brasileiros, que não recebem o menor incentivo do governo ou dessa estimada Academia, mendigando as migalhas que os imortais deixam cair de suas mesas. E o pobre povo brasileiro, que já não é muito acostumado a ler, continua sem ver um horizonte melhor.
A única coisa que me conforta é que, observando as manifestações do publico no Twitter, podemos perceber que, pelo menos, o senso crítico das pessoas está mais apurado. Ao invés de aplaudir um absurdo desses, já conseguimos perceber o insulto que nos é proferido, mesmo se tratando do Ronaldinho Gaúcho.
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